Sem auxílio, apreensão e incerteza afligem mães solteiras: “Que o presidente tenha pena dos pobres”

By 8 de janeiro de 2021Brasil, Lute como uma garota

Foto: Peu Ricardo/DP FOTO

A última parcela do auxílio emergencial será paga no mês de janeiro. Para as populações mais vulneráveis, que conseguiram sobreviver por conta dessa ajuda, o fim do pagamento deixa uma incógnita de medo e preocupação sobre o futuro. E quando falamos de futuro, nos referimos ao que colocar na mesa na refeição seguinte.

Sendo a população mais atingida (em termos sociais e econômicos) pela pandemia, as mulheres que vivem em áreas vulneráveis e são responsáveis únicas pelo sustento dos filhos, o clima é de mais apreensão e incerteza.

É o caso de Daniela Maria, 27 anos, que tem quatro filhos e faz parte do expressivo quadro das 11 milhões de mães solteiras no Brasil. Sem emprego fixo, ela também faz bico como catadora de sururu e mora em Recife.

“Tem que catar sururu e fazer o que aparecer pela frente para sobreviver. Sou mãe solteira, não tenho trabalho certo e vivo de bico, mas também não deixo faltar nada para os meus filhos. O pouco que eu tenho é sempre para eles em primeiro lugar. Com o auxílio, eu estava vivendo até melhor, dava para sustentar os meninos melhor. Mas agora, só papai do céu para ajudar até eu arranjar outra coisa”, confessa.

“Eu só espero que Deus coloque um trabalho para mim, para eu poder dar uma condição melhor aos meus filhos e tirar eles daqui. Aqui não é lugar para criança viver, nem o cheiro do ambiente serve”, enfatizou.

Situação compartilhada por Mikeline do Nascimento, 27 anos, que, com o fim do pagamento do auxílio emergencial, terá que sobreviver junto ao esposo e às duas filhas com a renda que consegue com a venda de frutos do mar e com a quantia de R$ 171 do Bolsa Família. “Para a gente que vive da pesca, a pandemia do coronavírus atrapalhou muito as vendas”, relembra a moradora.

“Catamos sururu de domingo a domingo. Cada galeia (cesto) custa de R$ 15 a R$ 30, varia. A gente pede a Deus para não chover, porque senão mata tudo. Tem dia que a gente pega carga horária de 12 horas sentada sem parar. É um trabalho muito complicado, mas pior é não ter nada”, ressaltou. Ela fez um pedido para 2021: “Que o presidente tenha pena dos pobres, que prorrogue o auxílio pelo menos por três meses”.

De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, 40% dos domicílios paraibanos são chefiados por mulheres. Durante a pandemia da Covid-19, as mulheres perderem postos de trabalho (puxando o aumento do índice de desemprego), foram as responsáveis diretas pelos cuidados com os filhos (por conta do fechamento das escolas), e agora podem sofrer com mais um baque no sustento de suas famílias.

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