Governo da Paraíba constrange mulheres ao dar voz a prefeito paraibano acusado de agredir ex em evento do 8 de março

By 8 de março de 2021Lute como uma garota

A Secretaria de Estado da Mulher e da Diversidade Humana lançou na manhã deste dia 8 de março, as ações da programação das atividades alusivas ao Dia Internacional da Mulher. A solenidade, que foi rápida e transmitida online, contou com condução da secretária Lídia Moura; o governador João Azevedo; George Coelho, presidente da FAMUP; Aline Yamamoto, da ONG Mulheres; e Fábio Tyrone, prefeito de Sousa. Até aí, tudo ok. Só que não.

Vamos começar a nomear os equívocos por ordem de importância.

Durante o lançamento das ações alusivas ao Mês da Mulher, causa certo desconforto uma solenidade com mais homens do que mulheres. Tirando a fala do governador, os outros convidados se limitaram ao senso comum. Sem qualquer representação do Poder Judiciário, sem qualquer representante da Secretaria de Segurança Pública (sentimos falta de Dra. Maísa Félix, Coordenadora das Delegacias da Mulher do Estado), sem representações da sociedade civil paraibana. Ficou o vácuo evidente.

Aline Yamamoto, da ONG Mulheres, possui um trabalho de relevância nacional no combate à violência e proteção de mulheres. Sua presença tem importância e se faz necessária, mas causa estranheza o fato de que nenhuma representante de um movimento local participou de encontro. Falta de convite? Falta de interesse? Falta de entrosamento entre os movimentos de mulheres paraibanas e a secretaria? Não temos dúvida que foi um prazer para Aline participar desse encontro, mas ela ficaria tão à vontade sabendo que estava ao lado, mesmo que virtualmente, de um convidado no mínimo, inconveniente?

Fábio Tyrone, prefeito de Sousa. Para quem não lembra, o prefeito foi denunciado na Lei Maria da Penha, em 2018. Acusado de agredir a ex namorada, Fábio foi “agraciado” com uma medida protetiva pelo Tribunal de Justiça. Num estado com 37 mulheres prefeitas, fica ainda mais evidente a total falta de planejamento e de sensibilidade na escolha dos nomes.

À época, a mulher relatou em sua denúncia apresentada à Justiça, que estava se relacionando com Fábio Tyrone há cerca de quatro meses e que neste período o prefeito teria revelado “personalidade ciumenta, possessiva e controladora”. A vítima afirmou que o primeiro caso de agressão aconteceu no mês de novembro, em uma viagem à cidade de São Paulo.

Segundo documento remetido ao TJPB, com ciúmes, o político empurrou e tentou agredir a ex-companheira no pescoço. Fábio Tyrone iniciou uma briga em uma festa em João Pessoa reclamando que a advogada havia bebido demais e conversado com muitas pessoas. Na sequência do relato, a ex-companheira do político relatou que na volta para casa foi agredida com um tapa no rosto. Na residência dela, ainda foi xingada várias vezes, derrubada no chão e chutada várias vezes. Ela relatou no documento ainda que quando mandou o prefeito embora, foi novamente agredida com um soco no olho.

Talvez por conta disso, Fábio não tenha falado tanto, e se limitou a agradecer o governador e reforçar a parceria entre o Governo do Estado e Prefeitura de Sousa. Antes de terminar sua “fala”, Tyrone fez questão de relembrar às mulheres o lugar que elas ocupam na gestão atual: “no segundo escalão do Governo, são mais mulheres que homens”. Quase nos emocionou tamanho reconhecimento.

Sobre as buscas e respostas em relação à fuga de Eduardo dos Santos Pereira, autor da Barbárie de Queimadas, nenhuma palavra.

Não é a primeira vez – esse ano! – que nos sentimos constrangidas. Pelo jeito, não vai ser a última.

Você pode acompanhar as ações do Mês da Mulher por este link.

E pode assistir toda solenidade, aqui.

 

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